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TEOLOGIA DA CEIA DO SENHOR

TEOLOGIA DA CEIA DO SENHOR

          Por teologia entendemos ser o estudo sobre Deus ou um tratado sobre Deus. Entretanto, devemos pensar que a ideia de estudar sobre Deus só é possível por uma única razão: Deus se revelou. Conforme afirma o teólogo protestante Wolfhart Pannenberg:

… teologia não é concebida apenas em primeiro lugar como produto da atividade humana, mas designa a notícia de Deus própria do Logos divino e revelada por ele. Ao homem ela se torna acessível somente como contemplação da verdade divina concedida pelo próprio Deus, portanto por meio de inspiração reveladora.

            Se estudar teologia é a busca por conhecer a Deus, então devemos ter em mente que isso só é possível porque, em algum momento e como fruto da graça, Deus decidiu revelar-se ao homem. Por mais que o homem se interesse em conhecer a Deus por meio da teologia, ele não é o início dela, mas Deus é a origem, em virtude de tornar-se conhecido.

         Com base nisso, a Teologia da Ceia do Senhor deve ser analisada à partir da premissa de que devemos observar o que Deus tem a nos dizer sobre o tema, e claro, isso só será possível por meio das Sagradas Escrituras. Biblicamente falando, a Ceia do Senhor, junto do Batismo compõem as duas ordenanças deixadas por Jesus à Sua Igreja.

         A expressão “ordenança” provém de dois vocábulos latinos, que quer dizer “aquilo que foi ordenado ou mandado”. O teólogo Emery H. Bancroft apresenta-nos uma boa explicação sobre a Ceia do Senhor como ordenança e suas implicações:

São memórias de Cristo, observadas em obediência a ele, expressões de amor e devoção; são ritos cristãos, que designam como discípulos de Cristo aqueles que observam convenientemente.

A Autenticidade da Ceia do Senhor

Em se tratando de uma ordenança, ao participar da Ceia do Senhor, o crente está em obediência, e nisto já se coloca em posição de ser participante das bênçãos do Senhor Jesus (Jo 6.53-56). Além disso, é necessária uma consciência bem esclarecida sobre as razões pelas quais, como cristãos, devemos participar da Ceia, pois é nisso que consiste o verdadeiro valor deste ato glorioso.

        Uma pergunta fundamental: “Por que o cristão deve participar da Ceia do Senhor”?

         Uma questão de autoridade

         Este ste ato foi ordenado pelo próprio Senhor Jesus (I Co 11.23-26). Poderíamos extrair várias lições desta verdade, entretanto, destaco apenas duas: a) aqueles que se apresentam como membro do Corpo de Cristo e não participam da Ceia, estão em total desobediência; b) o Senhor Jesus é a fonte de autoridade da Ceia, isto é, ao participarmos dela, estamos afirmando estar ligados diretamente nEle.

         Além do Senhor Jesus, devemos ainda considerar que Paulo (autoridade apostólica) não somente incentivou, mas também ensinou a Igreja quanto à sua procedência na Ceia do Senhor. Sendo assim, temos a autoridade divina e também a autoridade apostólica, e, assim como a igreja primitiva, devemos permanecer na doutrina dos apóstolos (At 2.42).

         Uma questão de exemplo

          Em Atos 2.42 encontramos a Igreja primitiva seguindo fidedignamente à doutrina dos apóstolos, inclusive na prática da comunhão e do partir do pão, e, sem dúvida, isso se refere à Ceia do Senhor. Portanto, a Igreja do Senhor deve permanecer celebrando e administrando a Ceia, e cada cristão convicto deve participar da mesma.

         Concluindo esta parte, dou destaque ao que F. F. Bruce tem a nos dizer sobre a origem da Ceia e sua autoridade:

Quando ele diz aos coríntios que “recebeu do Senhor” o relato do que Jesus  fez e disse “na noite em que foi traído” (I Co 11.23), ele não diz quando e como isso aconteceu. Ele o recebeu “do Senhor”, no sentido de que toda a tradição cristã tem sua fonte no Senhor crucificado e exaltado, assim como nele, ela é validada para sempre.

         O propósito da Ceia do Senhor

          A falta de conhecimento resulta em terríveis desastres, dos quais alguns podem ser fatais. No que diz respeito à Ceia do Senhor, isso também é verdade, isto é, a falta de conhecimento de seu legítimo propósito, infelizmente tem levado muitos a tristes consequências.

         Orientando a igreja que estava em Corinto, que por sua vez, encontrava-se exatamente com o problema na conduta da Ceia, o apóstolo Paulo afirma que, ao ajuntar-se, aqueles irmãos faziam para o mal e não para o bem (I Co 11.17). Isso nos chama a atenção para o fato de que a Ceia quando feita sem a devida consideração de seu verdadeiro propósito, ela pode tornar-se um problema para a igreja. Por esta razão devemos sempre ter em mente quais são os verdadeiros propósitos da Ceia do Senhor.

         Aprecio muito a exposição que Goodchild faz a respeito do propósito divino para a Ceia, ao escrever:

A comunhão da Ceia do Senhor tem o propósito de servir de recordação dos sofrimentos a do Senhor nosso favor. É uma celebração de Sua morte. O Salvador sabia como é curta a memória humana. E, por consideração à nossa fraqueza e inclinação ao esquecimento, estabeleceu esta simples ceia memorial. Nela, tomamos do pão partido, simbolizando Seu corpo que foi ferido por nós, e do fruto esmagado da videira, símbolo de Seu sangue derramado por nossos pecados. É uma lembrança dos sofrimentos do Senhor, a qual nos apresenta com muita nitidez o calvário e sua cruz. A Ceia, contempla não só o passado, mas também o futuro. É uma comemoração e é uma profecia. Demonstra a morte do Senhor “até que ele venha.”

          Basicamente, o propósito da Ceia é colocar o cristão diante de tudo que envolveu o sacrifício de Jesus, e isso no sentido de seu sofrimento (físico e espiritual), a razão desse sofrimento e os seus resultados. Considerando que a mente humana é falha e curta, a ceia também visa também renovar na memória do cristão tudo o que envolve sua salvação em Cristo Jesus.

         Uma questão de tempo

          É fundamental destacar ainda que, ao tratar do assunto da Ceia, suas formas e seu real propósito, o apóstolo Paulo aponta-nos três tempos, isto é, quando participa da Ceia, o cristão, necessariamente envolve-se em três tempos simultaneamente. Vejamos isto detalhadamente.

         Passado

          De acordo com as palavras de Jesus e a repetição disso pelo apóstolo dos gentios, o cristão deve participar da Ceia olhando para trás, ou seja, considerando o passado (Lc 22.19-20; I Co 11.24-25). Isso significa literalmente que no ato da Ceia deve haver por parte de quem participa uma consciência clara a respeito do que está sendo celebrado (a morte de Cristo) e quem é o centro deste glorioso momento (o Cristo ressuscitado).

         Presente

          Além de olhar para trás, o cristão também é convocado a ter um olhar para o exato momento da Ceia, isto é, o presente. Ao tratar disso, Paulo admoesta o crente a “examinar-se a si mesmo” (I Co 11.28), isto quer dizer, fazer uma auto – análise, ter um olhar introspectivo, isso significa empenhar-se em fazer uma avaliação de si mesmo.

         Na participação da Ceia do Senhor é importante também que haja a convicção de que Cristo encontra-se presente em meio ao Seu povo que celebra Sua morte e reconhece Sua ressurreição. Sobre isto, consideremos o que George Eldon Ladd tem a nos informar: “O comer e o beber envolvem mais do que a memória de um evento passado; pois também representam a participação do corpo e do sangue de Cristo, e, portanto a participação em seu corpo”.

         Portanto, no aspecto presente, o cristão deve estar bem conscientizado a respeito de se avaliar para então participar da Ceia, assim como deve também considerar que Cristo está presente no ato da Ceia.

         Futuro

          Paulo ainda afirma: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (I Co 11.26). Observe que mais uma vez há uma ênfase na morte de Jesus, porque este é o propósito central da Ceia, mas ao fazer isso, o apóstolo trata de estabelecer um limite para este ato, e este limite é a vinda do Senhor Jesus, sinalizando para o aspecto escatológico da Ceia do Senhor.

         O próprio Senhor Jesus prometeu aos Seus discípulos que um dia eles participariam da Ceia com Ele no Reino de Deus (Lc 22.18), e o que Paulo faz é trazer o que o Mestre havia falado à tona novamente. Sendo assim, o momento da Ceia deve ser marcado, não somente por uma consciência a respeito da vinda de Jesus, mas principalmente a esperança evidenciada pelo desejo ardente por este dia glorioso.

         No ato da Ceia é necessário um olhar retrospectivo (para trás), introspectivo (interno) e expectativo (para frente). Havendo uma consciência a respeito do que Cristo fez por nós, do estado em que nos encontramos e ainda o lugar que o Senhor preparou para nós, a Ceia terá cumprido sua real função na vida do participante.

         Um Rompimento Radical

              Conforme vimos, tratar sobre a Teologia da Ceia do Senhor implica em buscar a visão divina sobre assunto à partir da Bíblia. Sendo assim, o que as Sagradas Escrituras têm a nos informar sobre a visão divina da Ceia vai além daquilo que geralmente se pensa e é enfatizado sobre o tema.

         Na verdade, a Ceia do Senhor possui também um caráter limitador, isto é, ela serve-nos como uma forma de testemunharmos nosso rompimento com o mundo e nosso compromisso com Deus. Isso pode ser observado nas palavras do apóstolo Paulo em I Coríntios 10.14-22 onde ele trata diretamente sobre o assunto.

 Paulo enfatiza que a Ceia é para aquele que não se contamina com o que não procede de Deus (20-22); isso ainda quer dizer que a Ceia é exclusivamente para aqueles que romperam com o mundo e passaram a fazer parte do corpo de Cristo (17), e, enquanto estes são guiados pelo Espírito Santo a Cristo, os que participam do que o mundo oferece, são levados pelos demônios.

Quem deve participar da Ceia do Senhor?

A esta altura se faz necessário levantar a questão de quem deve participar da Ceia, haja vista que, ao longo da história da igreja muitos debates têm sido travado em torno deste assunto, inclusive em nossos dias. Dentre outros pontos que poderiam ser aqui listados, quero destacar dois que, com certeza serão suficientes para nos auxiliar na tarefa de respondermos esta questão.

Em primeiro lugar, somente os que crêem em Cristo devem participar da Ceia, já que seu propósito é servir como um sinal de conversão e manutenção da fé em Cristo e Sua obra redentora no Calvário. Em segundo lugar, de acordo com o contexto em que Paulo trata do assunto e a quem ele se dirige, fica claro que diz respeito à Igreja e seus membros, e isso implica na necessidade do Batismo em águas. Ampliando este pensamento, devemos nos lembrar que o Batismo é um símbolo do começo da vida com Cristo, e a Ceia seria um símbolo da permanência e manutenção desta vida.

O que se conclui é que, de acordo com a Palavra de Deus, somente aqueles que se submeterem ao Batismo é que passam a ter direito a participarem da Ceia. Afinal de contas, o que impediria um cristão que verdadeiramente crê em Jesus de passar pelas águas batismais, se este é um testemunho público de uma nova vida em Cristo, e, como vimos, a Ceia serve também como marca do rompimento com a velha vida mundana e o compromisso com o Cristo celebrado neste ato maravilhoso?

O Compromisso Fraternal na Ceia do Senhor

 Há um grande risco por parte da Igreja em pensar na Ceia apenas como um ato que envolve questões estritamente espirituais. Todavia, em toda a Bíblia encontramos o desejo de Deus de que os homens vivam em paz entre si, aliás, em combate ao que o pecado gerou neste aspecto, Jesus resumindo a Lei de Deus em duas, admoestou sobre a necessidade do homem amar ao seu semelhante (Mc 12.30-31).

A Igreja, além de outras funções, possui a responsabilidade de tornar conhecida a vontade de Deus para os homens, inclusive no que diz respeito ao relacionamento fraterno, e por isso na Ceia isso deve sempre ser exaltado e acentuado. No texto em que Paulo trata acerca da Ceia, claramente percebemos sua principal motivação: neste ato que deve ser para o crescimento espiritual da Igreja, estava servindo para os cristãos coríntios como perdição, única e exclusivamente por não haver um sentimento de fraternidade e unidade entre eles.

Sendo assim, fica evidente que a Ceia deve ser realizada em um ambiente fraterno e amoroso, envolvendo a capacidade do perdão, reconciliação e interesse no bem do próximo. Jesus ensinou sobre esta necessidade em outras práticas do culto, como por exemplo no momento da oferta isso deve ser levado a sério ao ponto de a oferta não ser recebida por Deus caso não haja este sentimento e comportamento (Mt 5.23-24).

A Ceia é um ato de unidade do corpo de Cristo que é formado pelos cristãos, por isso devemos participar com a consciência de que, embora tenhamos nossas diferenças, somos um em Cristo e isso deve ser levado a sério por todos nós, conforme Paulo escreveu: “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um só pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão” (I Co 10.17).

Concluindo esta parte, considero relevante destacar o que os pastores e teólogos Franklin Ferreira e Alan Myatt têm a nos dizer sobre o assunto:

No entendimento de Paulo, a participação na ceia pressupõe um ambiente fraterno. Na igreja em Corinto, essa ordenança era prejudicada por divisões, partidarismos, egoísmo e desconsideração; daí a dura censura do apóstolo (I Co 11.17-22). Os cristãos devem participar da ceia do Senhor com humildade, companheirismo e amor ao próximo (I Co 11.33).

            Cristo Presente na Ceia do Senhor

          É comum ouvirmos no momento da celebração da Ceia que Jesus está presente naquele momento; que no ato da Ceia estamos participando do Corpo e do Sangue de Jesus. Mas, de que forma isso é possível; de que forma isso ocorre, o que a Bíblia nos ensina sobre isso; e quais as principais correntes de pensamentos?

         Ao contrário do que muitos pensam, este é um tema que não somente tem causado grandes discussões, como também se trata de um assunto importante e, de certa forma complexo. Por isso, vejamos em detalhes sobre transubstanciação, consubstanciação e memorial.

         Transubstanciação

          Esta concepção da eucaristia da Igreja Católica Romana já era crida e praticada desde 1215, estabelecido no Concílio Laterano. Esta doutrina católica foi reafirmada no Concílio de Trento entre 1545 e 1563, e o fizeram com base naquilo que Tomás de Aquino já havia apresentado muitos anos antes. A expressão transubstanciação tem sua origem na junção de dois termos latinos, ”trans” (cruzar) e “substancia” (substância), se tratando da doutrina católica em que afirma que no momento da eucaristia, os elementos (pão e vinho) são transformados no corpo e no sangue de Cristo.

         O pastor Roberto dos Reis em seu excelente livro Celebração no Centro da Comunidade em que trata sobre o assunto, ele afirma:

É digno de nota que, na transubstanciação, o que muda é a substância (ou essência) dos elementos (o que de fato são), não os acidentes. Desta forma, o pão conserva a textura e o sabor de pão; por semelhante modo, o vinho conserva suas particularidades de vinho: cor, cheiro, sabor. Esta transformação metafísica dos elementos eucarísticos acontece quando o sacerdote diz: “isto é o meu corpo”, durante a celebração da missa. Quando o oficial pronuncia tal frase, o pão é levantado (elevado) e adorado.

            Sobre a figura do sacerdote nesta concepção, o pastor Reis ainda escreve:

No conceito de transubstanciação, o sacerdotalismo constitui-se um dos princípios de maior relevância. Segundo este princípio, um sacerdote devidamente ordenado deve estar presente para efetuar a consagração dos elementos, do contrário, os elementos permanecem meros pão e vinho. Quando, porém, o oficial segue toda a fórmula prevista, pão e vinho são transubstanciados em verdadeiro corpo e verdadeiro sangue de Cristo. Desde muitos séculos a Igreja Católica Romana não permite que leigos participem do cálice na celebração eucarística, reservando-lhes somente o pão.

            Em sua Teologia Sistemática, Wayne Gruden nos concede uma excelente explicação sobre esta concepção católica, ao escrever:

Quando isso acontece, segundo a doutrina católica, concede-se graça aos presentes, ex opere operato, isto é, “realizada por obra”, mas a quantidade de graça dispensada ocorre em proporção à disposição subjetiva de quem recebe a graça. Além disso, toda vez que se celebra a missa, o sacrifício de Cristo é repetido (em algum sentido), e a igreja católica é cautelosa em afirmar que se trata de um sacrifício real, embora não corresponda ao sacrifício que Cristo fez na cruz.

            Equivocadamente, essa doutrina católica não leva em consideração o fator simbólico das palavras de Jesus quando disse: “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”. Gruden combate esta doutrina, fazendo a seguinte declaração:

Jesus falou de modo simbólico muitas vezes quando falou de si mesmo… De maneira semelhante, quando Jesuss diz “isto é o meu corpo”, ele fala de modo simbólico, e não de maneira real, literal e física.

            Além disso, ao afirmar que em cada ato da eucaristia, o sacrifício de Cristo, de alguma forma está se repetindo, essa doutrina está contrariando o ensino bíblico de que o que Cristo fez no Calvário foi de uma só vez e de forma perfeita Hb 1.3; 9.25-28; Jo 19.30). Sem contar ainda o fato da proibição de leigos participarem do cálice da Ceia, pois isso é contrariar a ordem direta de Jesus: “Bebei dele todos “ (Mt 26.27).

         Consubstanciação

          Esse termo indica a crença de que no pão e no vinho (elementos da Ceia), de alguma forma encontram-se o corpo e o sangue de Jesus. A diferença desta doutrina para a católica repousa sobre o fato de não defender a ideia da transformação dos elementos, mas ela afirma que o corpo e o sangue de Jesus está em, com e sob os elementos da Ceia.

         Um dos primeiros defensores desta doutrina foi Berengario de Tours (1000-1088), que afirmava que, embora o pão mantivesse sua substância, mas também adquiria a nova substância do corpo de Cristo. Os reformadores, em especial Lutero foi um grande defensor desta doutrina, conforme Gruden nos informa:

Martinho Lutero rejeitou a posição católica sobre a ceia do Senhor, mas insistiu em que a frase “isto é o meu corpo” tinha de ser entendida, em algum sentido, como uma declaração literal. Sua conclusão não foi que o pão trna-se de fato o corpo físico de Cristo, mas que o corpo físico de Cristo está presente “em, com e sob” o pão da ceia do Senhor. A ilustração dada às vezes para explicar é que o corpo de Cristo está presente assim como a água está presente em uma esponja – a água não é a esponja, mas está presente “em, com e sob” a esponja e onde quer que a esponja esteja. Outra ilustração é a do magnetismo de um imã, ou ainda a de uma alma em um corpo.

            Esta crença desconsidera o fator espiritual que envolve o momento da Ceia e novamente a presença do simbolismo nas palavras de Jesus. Afinal, se essa doutrina for verdadeira, teríamos que dizer que nas palavras de Jesus “este é o cálice da nova aliança no meu sangue”, ele quis dizer que literalmente aquele cálice que estava em suas mãos, é de fato esta nova aliança, o que seria um grande erro.

         Memorial

          A expressão de Jesus “fazei em memória de mim” define muito bem o sentido real da Ceia do Senhor. Da mesma forma que a Páscoa serviu como memorial do que Deus havia feito em favor de Seu povo na libertação do Egito, em que cada elemento envolvido apontava para uma realidade de tudo isso, assim também a Ceia do Senhor serve-nos como um memorial do que Cristo se submeteu a fazer em nosso favor no Calvário, envolvendo Seu Corpo rasgado e Seu sangue derramado, representado nos elementos da Ceia.

         O homem por si só é inclinado a se esquecer fácil das coisas, e por esta razão é que vemos em toda a Bíblia, Deus criando meios de estabelecer o vínculo entre Suas obras e a lembrança do povo. Desta forma, a Ceia também serve como um memorial daquilo que Deus realizou de forma perfeita e gloriosa quando Cristo se entregou por nós.

         Wayne Gruden coopera mais uma vez, escrevendo:

                            Hoje, a maioria dos protestantes diria, em acréscimo ao fato de que o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, que Cristo também está espiritualmente presente de modo especial quando participamos do pão e do vinho

            Sendo assim, busquemos participar da Ceia do Senhor dignamente, conscientemente e esperançosamente por Sua Vinda em glória, e então, participaremos com Ele da Ceia gloriosa nas Bodas do Cordeiro.

         BIBLIOGRAFIA

          GRUDEM, Wayne; Teologia Sistemática; São Paulo; Vida Nova; 1999

         FERREIRA Franklin, MYATT Alan; Teologia Sistemática; São Paulo; Vida Nova; 2007

         REIS Roberto dos; Celebração no Centro da Comunidade; Pentecostalismo&Academia; Taubaté; 2010

         BANCROFT, E. H.; Teologia Elementar; Editora Batista Regular; São Paulo; 2001

         PANNENBERG, Wolfhart; Teologia Sistemática Vol. 1; Paulus e Academia Cristã; Santo André; 2009

 

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