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O OBREIRO E A IGREJA LOCAL

O OBREIRO E A IGREJA LOCAL

 Sempre que nos propomos a analisar um tema que se refere à Bíblia devemos partir dos princípios estabelecidos pela própria Palavra de Deus. Portanto, leiamos as seguintes palavras do apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios 4.11-12:

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.

            Muitas são as lições que podem ser extraídas desse texto, porém, destaco duas: a primeira é que o apóstolo enfatiza que é o Senhor Jesus quem dá obreiros à Igreja; e a segunda é que se é Ele quem dá obreiros à Sua Igreja, então ele é o proprietário desses obreiros, já que ninguém pode dar algo que não lhe pertence. Sendo assim, o obreiro deve esperar em Deus o tempo, a forma e o lugar para desenvolver seu ministério, já que é o Senhor quem possui a autoridade de apresenta-lo à Sua Igreja, e isso implica também na necessidade do obreiro ter uma vida que evidencie que de fato ele é uma propriedade de Deus, podendo assim ser dado ao Corpo de Cristo.

         Paulo destaca também que a finalidade para a qual o Senhor dá obreiros à Sua igreja é o “aperfeiçoamento dos santos” visando “a edificação de Seu Corpo”. O que se percebe é que os que os obreiros trabalham para treinar os santos que deverão trabalhar para a edificação do Corpo de Cristo.

Não é propósito divino limitar a tarefa da edificação dos santos aos chamados “obreiros oficiais”, mas que toda a Igreja esteja envolvida na tarefa interna de treinamento e preparação para o cumprimento de sua missão na terra. E o que se deve destacar é que tudo isso ocorre em função e em favor da Igreja local, isto é, todo esse trabalho desemboca na Igreja.

         Uma das máximas do ministério cristão é: Ele deve ser exercido sob o princípio do serviço, e o significado disso é colocar-se no lugar da outra pessoa. Jesus nos deu exemplo e também falou que em Seu Reino o maior é o que serve e não o que é servido (Mt 20.27-28). Conclui-se que o obreiro deve sempre ter a vívida consciência que ele não é somente servo de Deus, mas também da Igreja, afinal, ele é dado para trabalhar em favor da Igreja e não o contrário.

Chamado para Ele e por Ele

            Na chamada de Moisés (Ex 3.10) e na de Paulo (At 9.15), percebemos semelhança em alguns aspectos, principalmente no que diz respeito às palavras do Senhor que demonstra a dinâmica da chamada de um homem para o cumprimento de Seu propósito. Encontramos as seguintes expressões nos textos: “vem”; “te enviarei”; “é para mim… escolhido”; para levar”.

         Antes de ser chamado para a obra do Senhor, o obreiro é chamado para o Senhor da obra. A eficácia na obra do Senhor depende diretamente do quanto o obreiro conhece o Senhor da obra, por isso, antes de atender ao chamado ministerial, devemos atender o chamado à comunhão com Cristo.

         A obra é do Senhor e é Ele quem a conduz e a realiza, e esta é a principal razão pela qual o obreiro necessariamente deve atender ao chamado à comunhão com o Senhor antes de trabalhar em Sua obra. Sendo assim, a obra será realizada em cooperação com o Senhor e sempre objetivando o bem estar da Igreja, já que o Senhor Jesus decidiu realizar Suas obras e tornar-se conhecido por meio de Sua Igreja.

         O comprometimento do obreiro com a Igreja local depende diretamente do quanto ele está em comunhão com o Senhor da Igreja, isto é, quanto mais consciente de sua necessidade de estar perto de Deus, mais o obreiro executará seu ministério pensando em servir à Igreja e não a si mesmo.

         Igreja e Obreiro, uma relação de dependência

         De acordo com as palavras de Paulo no texto base de nossa meditação, os obreiros são os responsáveis em preparar a Igreja para aquilo para o qual ela foi edificada, e isso nos coloca diante de duas grandes verdades: 1) o sentido do ministério está em servir a Igreja e trabalhar para ela; 2) de certa forma a Igreja depende de seus obreiros para sua manutenção e preparação para o cumprimento de seus deveres como Corpo de Cristo na terra.

         A satisfação do obreiro só é possível quando for desenvolvido com o propósito de servir a Igreja, afinal, esta é a razão e propósito de sua existência. Sobre a relação do obreiro com a Igreja, Richard Baxter escreveu:

Ele precisa deleitar-se em sua beleza, anelar por sua felicidade, buscar o seu bem e se regozijar em seu bem estar. Ele deve estar disposto a gastar-se e ser gasto em benefício da igreja.

                      Partindo desta premissa, concluímos que o desenvolvimento de um ministério só terá valor diante de Deus quando o mesmo ocorrer em favor e dentro dos limites da Igreja local.

         Infelizmente, o número daqueles que têm se distanciado do convívio com a Igreja local e ainda são chamados evangélicos, cresce assustadoramente, e isso tem sido considerado um fenômeno e que por sua vez recebe o nome de “Os Desigrejados”. Esses descomprometidos com a Igreja local se declaram evangélicos, afirmam crer no nascimento virginal de Cristo, na sua morte vicária, na ressurreição, na Segunda Vinda, e na vida eterna dos fiéis, além de terem se submetido ao batismo e, por incrível que pareça, participam da Santa Ceia do Senhor; no entanto, não acreditam na relevância e necessidade da igreja institucional. De acordo com o IBGE, numa pesquisa feita, em 2010, já eram mais de quatro milhões de evangélicos nessa condição.

            Tragicamente, esse fenômeno tem afetado também muitos dos chamados obreiros ou ainda aqueles que se consideram assim, e fatalmente a Igreja tem sofrido, pois de acordo com o padrão bíblico, ministério é serviço à Igreja, mas quando isso não acontece, a tendência é a busca por interesses pessoais, de onde vêm os grandes escândalos, tornando assim pedra de tropeço à pregação do Evangelho.

O obreiro comprometido com a Igreja local é muito menos propenso a trabalhar em causa própria que aquele que não possui ligação com ela. A Igreja local é capaz de revelar os propósitos do coração de um obreiro, ou seja, ela é eficaz em manifestar os verdadeiros sentimentos daqueles que a servem no exercício ministerial.

         No exercício de seu ministério na Igreja local, o obreiro constantemente é submetido a desafios que são eficazes em testar seu verdadeiro propósito e real motivação e somente os de puro sentimento permanecerão em servir ao Corpo de Cristo.

         Sou verdadeiramente chamado?

Nesse ponto, devemos pontuar algumas questões fundamentais: Como saber se verdadeiramente sou chamado? Quais as marcas de um obreiro verdadeiramente chamado? Quem é habilitado para confirmar um obreiro verdadeiramente chamado?

Quanto à questão se a pessoa que exerce ministério é de fato ou não chamada por Deus é algo inevitável e fundamental, principalmente porque isso é que dá peso de autoridade ou não ao exercício desse ministério, afinal, nenhum membro de Igreja quer ser ministrado por alguém que não seja verdadeiramente chamado por Deus. Sendo assim, podemos considerar que, a confirmação de um chamado ministerial é o principal, e talvez o maior requisito para o exercício ministerial na Igreja local.

Sobre o ministério de alguém e sua chamada, o puritano William Perkins acreditava que existem dois sinais que autenticam e atestam um obreiro verdadeiramente chamado por Deus, sendo eles: sinal interno e sinal externo. Sobre o assunto Perkins escreveu:

Saberás tu se Deus te enviaria ou não? Então tu deves perguntar à tua consciência e perguntar à Igreja. Tua consciência deve julgar a tua disposição e a Igreja, a tua capacidade. Da mesma forma que tu não podes confiar em outros homens para julgar a tua inclinação ou afeição, assim também tu não podes confiar no teu próprio julgamento para julgar a tua suficiência ou o teu valor. Se a tua consciência testifica a ti que o teu desejo de servir a Deus e à Sua Igreja acima de qualquer outro desejo, e se em provas feitas dos teus dons e aprendizado a Igreja… aprova o teu desejo e a tua capacidade de trabalhar a serviço de Deus no Seu ministério, e portanto através de um chamado público te permitem seguir; então Deus, ele próprio te permitiu seguir.

         Na visão de William Perkins, a responsabilidade a respeito de quem verdadeiramente chamou determinada pessoa para o ministério recai sobre o próprio candidato e sobre a Igreja onde ele exercerá seu ofício ministerial, caso haja essa confirmação. De uma forma mais prática, a responsabilidade do obreiro é de discernir o seu próprio desejo, enquanto que para a Igreja fica a responsabilidade de discernir acerca dos dons e da capacidade do obreiro.

         Ao procurarmos saber o que a Bíblia tem a nos ensinar sobre isso, percebemos que essa visão está bem próxima daquilo que a Palavra de Deus nos orienta. No Antigo Testamento, encontramos que todos da casa de Arão e da casa de Levi eram chamados para o serviço do altar, todavia, para que exercessem oficialmente esse ministério deveria antes ser ungido e purificado publicamente (Ex 28.35); já no Novo Testamento, encontramos Pedro sendo enviado por Deus à casa de Cornélio que por sua vez mandou chamar o apóstolo (At 10), ou seja, por mais que o obreiro tenha convicção de sua vocação e chamada ministeriais, ele deve sempre esperar o testemunho da Igreja local que, identificando esse chamado, o confirmará.

         Sendo assim, podemos mais uma vez perceber o papel fundamental da Igreja local, e nesse caso na identificação e confirmação do chamado do obreiro, mesmo porque, todo o exercício ministerial, conforme temos visto, deve desembocar nela, isto é, todo esforço, talento e dons devem trabalhar em benefício do Corpo de Cristo.

         A Última Palavra

          Pudemos notar que, se tratando da confirmação do chamado de alguém, existem dois sinais, o interno (pessoal do obreiro) e externo (da Igreja local). No entanto, estamos tratando de assuntos espirituais, que dizem respeito àqueles que são chamados para conduzirem e orientarem a Igreja do Senhor Jesus, cuja batalha é estritamente espiritual (Ef 6.12), por isso, todos esses dois sinais são importantes e fundamentais, mas a última palavra sempre deve ser do Espírito Santo, quando o assunto é a confirmação ministerial.

         Tomaremos como base, dois textos sagrados que serão suficientemente capazes de atestar essa verdade:

E, pensando Pedro, naquela visão, disse-lhe o Espírito Eis que três varões te buscam. Levanta-te, pois, e desce, e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei. (At 10.19,20 – grifo do autor).

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e Saulo para a obra que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. (At 13.2,3 – grifo do autor)

            Nas duas passagens bíblicas podemos perceber o mesmo princípio e a mesma dinâmica. O alvo é a evangelização, a necessidade e a preocupação recai sobre quem será usado para tal tarefa, a necessidade está em pessoas que precisam ouvir o Evangelho e em tudo isso encontramos o Espírito Santo determinando à Igreja quem e de que forma isso deveria ser realizado.

         No episódio que envolveu Pedro e Cornélio, o Espírito Santo é claro em dizer ao apóstolo que Ele havia enviado aqueles homens a busca-lo para que ele se encontrasse com o centurião. A dinâmica é conduzida pelo Espírito de Deus, é Ele quem leva, traz e conduz todas as coisas, executando o tralho pelas vias por Ele estabelecidas, ou seja, usando pessoas a fim de servirem à outros com o Evangelho, cumprindo assim Seu propósito.

         Já no caso da Igreja que estava em Antioquia, percebemos algo semelhante, pois encontramos uma lista de homens capacitados e chamados por Deus (v. 1), mas todos eles tiveram a preocupação em receber do Espírito Santo a direção concernente àqueles que haviam sido designados a realizarem aquela tarefa específica. Mediante a busca daquele grupo de líderes daquela Igreja, o Espírito de Deus determinou que separassem Barnabé e Saulo, mas mesmo após isso, por meio daquele mesmo grupo, esses dois missionários receberam a imposição de mãos e forma então, com o respaldo de Deus e da Igreja que realizaram sua primeira viagem missionária.

         É formidável quando a Igreja caminha em plena comunhão com o Espírito Santo em suas tarefas, principalmente quando se trata de separação e confirmação de obreiros, porque de certa forma, disso depende o seu sucesso. O obreiro que recebe de Deus a confirmação interna, será confirmado por sinais externos dados à Igreja local, e será confirmado pelo Espírito Santo que, de alguma forma comunicará à Igreja que não terá dúvida sobre o chamado desse obreiro.

         Desse modo, o obreiro deve conservar o fervor de sempre servir sempre à Igreja de Deus, pois para isso ele foi chamado.

         Bibliografia

          Bíblia de Estudo Pentecostal; CPAD

         MacDonald, D. J.; Os Puritanos e o Ministério

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